Em 15 de abril de 2026, a Coordenação-Geral de Tributação da Receita Federal publicou a Solução de Consulta Cosit nº 56/2026, com efeito vinculante para a administração tributária, e impacto direto sobre milhares de brasileiros que detêm LLCs nos Estados Unidos.
O que a Receita decidiu
A Receita firmou o entendimento de que as LLCs americanas fiscalmente transparentes (que não pagam imposto de renda federal no nível da entidade), cuja participação seja composta por não residentes nos EUA, caracterizam-se como beneficiárias de regime fiscal privilegiado, nos termos do art. 2º, VII, da IN RFB nº 1.037/2010.
O argumento do contribuinte (de que os lucros são tributados nos EUA no nível dos sócios, a alíquotas de 10% a 37%) foi considerado irrelevante. Para a Receita, o que importa é a estrutura jurídico-tributária da entidade, não a carga efetivamente suportada.
A consequência prática: tributação automática anual
Enquadrada como regime fiscal privilegiado, a LLC passa a se sujeitar ao regime de tributação automática da Lei nº 14.754/2023 ("Lei das Offshores"):
- Os lucros são tributados no Brasil em 31 de dezembro de cada ano, à alíquota de 15% de IRPF, independentemente de distribuição;
- A apuração deve seguir os padrões contábeis brasileiros (BR GAAP), com demonstrações elaboradas por profissional habilitado;
- Acaba a estratégia de diferimento: manter lucros acumulados na LLC sem distribuir deixa de postergar o imposto brasileiro.
O problema da dupla tributação
Como não há tratado Brasil–EUA para evitar a dupla tributação, os lucros podem ser tributados anualmente no Brasil e, futuramente, sofrer nova incidência nos EUA quando efetivamente distribuídos. A Lei 14.754/2023 permite a compensação do imposto pago no exterior, mas o procedimento é complexo e há situações de sobreposição ainda sem solução clara.
Quem é afetado
- Residentes fiscais no Brasil (pessoas físicas) com participação em LLCs transparentes nos EUA, inclusive LLCs na Flórida, Delaware e Wyoming;
- Estruturas com sócios pessoas jurídicas estrangeiras também podem ser alcançadas pelos efeitos do entendimento;
- Não afeta quem formalizou a Saída Fiscal Definitiva e é não residente no Brasil.
Há espaço para discussão?
Sim. A doutrina já aponta que a interpretação é excessivamente formalista: uma LLC tratada como partnership com renda efetivamente conectada aos EUA (ECTI) sujeita seus sócios à tributação federal americana, inclusive por retenção na fonte, cenário materialmente distinto do de uma disregarded entity com renda passiva fora dos EUA. A análise deveria ser casuística. Contribuintes com estruturas relevantes podem avaliar medidas administrativas e judiciais.
O que fazer agora
- Revisar o enquadramento da sua LLC (classificação fiscal nos EUA, residência dos sócios, natureza da renda);
- Preparar demonstrações financeiras em BR GAAP;
- Recalcular o impacto da tributação anual automática e das regras de compensação;
- Avaliar alternativas de estrutura, inclusive a opção por tratamento como entidade opaca ou reorganização societária;
- Se você mora fora e nunca formalizou a saída fiscal, este é mais um motivo para regularizar.
On April 15, 2026, Brazil's Federal Revenue published Consultation Ruling (Solução de Consulta) Cosit No. 56/2026, binding on the tax administration, with direct impact on thousands of Brazilians who own US LLCs.
What the tax authority decided
The Revenue established that fiscally transparent US LLCs (not subject to federal income tax at the entity level) whose ownership is composed of non-US residents qualify as benefiting from a privileged tax regime under art. 2, VII, of Normative Instruction RFB No. 1,037/2010.
The taxpayer's argument (that profits are taxed in the US at the member level, at rates of 10% to 37%) was deemed irrelevant. What matters, per the Revenue, is the entity's legal-tax structure, not the tax burden actually borne.
The practical consequence: automatic annual taxation
Classified as a privileged tax regime, the LLC becomes subject to the automatic taxation regime of Law 14,754/2023 (the "Offshore Law"):
- Profits are taxed in Brazil on December 31 of each year, at 15% IRPF, regardless of distribution;
- Profits must be determined under Brazilian accounting standards (BR GAAP), with statements prepared by a qualified professional;
- The deferral strategy ends: accumulating profits in the LLC without distributing no longer postpones Brazilian tax.
The double taxation problem
Since there is no Brazil–US double tax treaty, profits may be taxed annually in Brazil and later taxed again in the US upon actual distribution. Law 14,754/2023 allows crediting foreign tax paid, but the procedure is complex and overlap situations remain without clear resolution.
Who is affected
- Brazilian tax residents (individuals) holding transparent US LLCs, including Florida, Delaware and Wyoming LLCs;
- Structures with foreign corporate members may also be reached by the ruling's effects;
- It does not affect those who formalized the Definitive Tax Exit and are non-residents of Brazil.
Is there room to challenge?
Yes. Commentators note the interpretation is overly formalistic: an LLC treated as a partnership with effectively connected income (ECTI) subjects its members to US federal taxation, including withholding, materially different from a disregarded entity with passive income outside the US. The analysis should be case-by-case. Taxpayers with significant structures may evaluate administrative and judicial measures.
What to do now
- Review your LLC's classification (US tax treatment, member residency, nature of income);
- Prepare BR GAAP financial statements;
- Recalculate the impact of automatic annual taxation and crediting rules;
- Evaluate structural alternatives, including opaque-entity treatment or reorganization;
- If you live abroad and never formalized the tax exit, this is one more reason to regularize.
El 15 de abril de 2026, la Receita Federal de Brasil publicó la Solución de Consulta Cosit nº 56/2026, vinculante para la administración tributaria, con impacto directo sobre miles de brasileños que poseen LLCs en Estados Unidos.
Qué decidió la autoridad fiscal
La Receita estableció que las LLCs americanas fiscalmente transparentes (que no pagan impuesto de renta federal a nivel de la entidad), cuya participación esté compuesta por no residentes en EE.UU., se caracterizan como beneficiarias de régimen fiscal privilegiado, según el art. 2º, VII, de la IN RFB nº 1.037/2010.
El argumento del contribuyente (que las utilidades tributan en EE.UU. a nivel de los socios, con alícuotas del 10% al 37%) fue considerado irrelevante. Lo que importa, según la Receita, es la estructura jurídico-tributaria de la entidad.
La consecuencia práctica: tributación automática anual
- Las utilidades tributan en Brasil el 31 de diciembre de cada año, al 15% de IRPF, independientemente de la distribución;
- La determinación debe seguir los estándares contables brasileños (BR GAAP), con estados elaborados por profesional habilitado;
- Termina la estrategia de diferimiento: acumular utilidades en la LLC sin distribuir ya no posterga el impuesto brasileño.
El problema de la doble tributación
Como no existe tratado Brasil–EE.UU. para evitar la doble imposición, las utilidades pueden tributar anualmente en Brasil y, más adelante, volver a tributar en EE.UU. al distribuirse. La Ley 14.754/2023 permite la compensación del impuesto pagado en el exterior, pero el procedimiento es complejo.
Quiénes son afectados
- Residentes fiscales en Brasil (personas físicas) con participación en LLCs transparentes, incluidas las de Florida, Delaware y Wyoming;
- Estructuras con socios personas jurídicas extranjeras también pueden verse alcanzadas;
- No afecta a quien formalizó la Salida Fiscal Definitiva y es no residente en Brasil.
¿Hay espacio para discutir?
Sí. La doctrina señala que la interpretación es excesivamente formalista: una LLC tratada como partnership con renta efectivamente conectada a EE.UU. somete a sus socios a la tributación federal americana, escenario materialmente distinto del de una disregarded entity con renta pasiva fuera de EE.UU. El análisis debería ser caso por caso.
Qué hacer ahora
- Revisar el encuadramiento de su LLC (clasificación fiscal en EE.UU., residencia de los socios, naturaleza de la renta);
- Preparar estados financieros en BR GAAP;
- Recalcular el impacto de la tributación anual automática;
- Evaluar alternativas de estructura;
- Si vive fuera y nunca formalizó la salida fiscal, esta es una razón más para regularizar.
Tem LLC nos EUA e é residente fiscal no Brasil?Own a US LLC while a Brazilian tax resident?¿Tiene una LLC en EE.UU. y es residente fiscal en Brasil?
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